“– É mesmo??! Nem sabia que você fazia isso...”
Ouço tanto frases como essa em nosso contexto local, que começo a constatar quão distantes nos tornamos como pessoas moradoras de um mesmo município, bairro, rua, condomínio, vizinhança... Sabemos, alguns, os nomes uns dos outros; às vezes, onde reside cada um; quando mais próximos, trocamos telefones e nos cumprimentamos cordialmente ao nos encontrarmos ocasionalmente; porém, sobre a ocupação exercida, a profissão ou local de atuação do vizinho(a), nos surpreendemos por nada saber por tanto tempo de convivência.
O crítico, para mim, é que, embora desenvolvamos carências comuns em um ambiente compartilhado – condomínio, bairro, trabalho, escola, clube, igreja, comunidade em geral –, insistimos em manter tal postura social pseudo-comunitária e exclamamos surpresos ao descobrir capacidades e potencialidades diversificadas que podem, se combinadas entre si, atender criativamente a muitas demandas coletivas e, até mesmo, individuais na localidade.
Espanta-me, agora referindo-me ao nosso Cascatinha, como muitos dos moradores fazem do local que escolheram para residir apenas um bairro dormitório, conhecendo pouco o dia-a-dia da coletividade, usando pouquíssimos ou nenhum dos serviços aqui oferecidos, fazendo compras apenas em estabelecimentos de outras áreas da cidade, sabendo de acontecimentos locais através da mídia, não tomando iniciativa alguma para conversar com aqueles que ao seu lado moram, coisa tão natural há algum tempo. Estamos deixando esgarçar todos os fios da teia social que nos constituía como uma comunidade. Estamos sendo permeados, sem perceber, por um sistema que nos empurra à solidão ególatra ou ao inseguro isolamento e não para a solidariedade protetora e polivalente.
Já disse Gilberto Fujimoto que “a falta de participação comunitária é citada como a principal razão para o declínio do envolvimento social, que contribui para o desenvolvimento de comunidades. [...] Sem oportunidade de interagir com outros fora de seu espaço familiar, as redes sociais são perdidas, diminuindo a cooperação e a participação social.”[i]
Estamos vivendo tempos em que o meu problema é meu, o seu problema é seu, mas a solução de ambos deve vir deles! Como?! Que lógica há nisso?! Se nem nós acordamos sobre uma possível solução as nossas questões, como somaremos forças para pressioná-los para executá-la? Pois é, precisamos urgentemente de contato, conversa, vínculo comunitário, convivência solidária.
Bem, recuso-me a constatar, somente, tal necessidade. Quero oferecer minha sugestão no sentido da mudança a um futuro melhor, mais cooperativo, ou, se você preferir, ouso sonhar em provocar um retorno aos bons relacionamentos já vividos em tempo passados. Quero buscar novas e simples iniciativas para a transformação social da minha comunidade do Cascatinha, através da participação coletiva em ambiente de confiança e participação. Que tal?!
Minha idéia é a seguinte: oferecer o meu espaço, minha casa, para receber meus vizinhos para a construção conjunta da primeira rede comunitária local. Como? Simples! A proposta inicial é respondermos todos, sentados em roda, a duas perguntas diretas:
a) O que você precisa? Algum serviço específico... oportunidade de trabalho... apoio escolar... carona para o médico ou serviço... curso... indicação de profissional de confiança... seja qual for a sua demanda ou necessidade, entendo que pode ser compartilhada pela possibilidade de vê-la atendida na rede comunitária ali representada.
b) O que você oferece? Tempo... espaço físico... apoio escolar... livros usados ou novos... carona para algumas pessoas... curso... serviço profissional... habilidade específica... produto... seja qual for sua capacidade ou talento, precisa ser divulgado na rede comunitária local.
Então, o que você acha da minha sugestão? Eu a vejo super viável, oportuna, gratuita, mas de grande valor. Na verdade, não precisa de coisa alguma para acontecer, a não ser da disponibilidade de cada um de nós para participar.
Posso contar com você?! Que tal convidar um(a) amigo(a), parente, vizinho(a)...? Vamos! O resultado será no mínimo prazeroso para os que se envolverem.
Qual a melhor dia e horário para nos encontrarmos?
Cristina Lima
2519-3399 / 9221-4232
[i] Fujimoto, G. Redes e Capital Social. Rio de Janeiro, 2005. In http://www.scribd.com/doc/16820948/-Gilberto-Fugimoto-Redes-e-Capital-Social, em 23/09/2010, 21h14.

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